verbo frontal

Aqui fracassam planos de uma trajetória reta

Em uma mesma nuvem cósmica, anos-luz alma humana adentro, encontra-se a origem de todas as esquinas e bifurcações, encontros e desencontros, diálogos e relacionamentos. Matriz de desdobramentos e pétalas, sedução e equívoco produzindo fertilidade. Verbo, pólen, dobraduras, espelhos, artifícios, transições, encadeamentos, chaves. É desta região que vêm as cancelas e os semáforos, as formas no DNA e tudo que se entende por mensagem, comunicação. Nela, fechaduras e aberturas estruturam a polirritmia do mundo.

Ao olhar superficial estas parecem coisas díspares, porém basta meia volta da chave, a ambígua chave desta casa, para que fique evidente o que elas têm em comum: são instâncias do arquétipo da disparidade, justamente. Esquinas da embriaguez com a lucidez. Garantias de um universo em contínuas dobraduras, sempre disposto a salvar nossos sísifos de si mesmos. Elas formam o avesso imprescindível a toda superfície, garantem a única coisa verdadeiramente permanente no universo.

Relatos diversos através dos tempos e continentes dão conta desta nuvem de conceitos e das ilusões úteis que ela produz. Quem teve inquietação ou paciência para escrever, escreveu. Quem teve inquietação ou paciência para desenhar, desenhou. Exu, Hermes, Mercúrio. Arte é o psicopompo que conduz experiências vividas à história e para tanto ela inventa tantos nomes quanto precisar ao se infiltrar como sinalização na paisagem. E quando, de tantos nomes mais nenhum surtir efeito, o todo então será reconhecido. A linha reta, esta ficção, obra de arte, finalmente será interpretada em toda sua riqueza de detalhes.

O fracasso é um truque perspicaz.

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